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Blog da Catraia

que, na realidade, agora são duas... Uma Catraia minhota de coração, lisboeta por obrigação, juntou-se à primeira, nortenha de berço e coração para, juntas - YUPI! - partilharem um blog:)

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Uma experiência "Cruel" no Porto

Já tínhamos ouvido falar do Cruel, o restaurante na Rua da Picaria que se diferencia por servir "experiências" - entre "Cauteloso", "Medroso" e "Cruel" - e não apenas pratos, o que nos deixou logo curiosos e com as expectativas em alta, confesso.

Depois de muito adiar, decidimos ir experimentar com uns amigos no sábado à noite. Ligamos com antecedência para marcar e escolhemos a segunda hora de jantar - a partir das 22h15, para podermos estar à vontade e não sermos apressados a sair da mesa.

O espaço é interessante, cinzento, minimalista e despojado de qualquer coisa que nos distraia da experiência que nos levou até ali. A decoração é marcada por peças diferentes, algumas recuperadas, e com um ambiente meio "retro"  na iluminação e nas cadeiras que ocupam o espaço, mas, à sua maneira, acolhedor.

 

Restaurante Cruel

 

Chegamos a horas e em plena rotação de mesas, o que levou a que tivéssemos que esperar mais do que seria suposto (15 minutos) para podermos receber a ementa, o que às 22h15 da noite é algo que não deve acontecer num restaurante deste nível. 

Quando finalmente recebemos a ementa, recebemos também uma explicação sobre os três menus disponíveis, a informação de que poderíamos escolher pratos dos três e misturá-los, para além de uma descrição mais ou menos detalhada de alguns pratos que seriam, supostamente, os que nos proporcionariam as experiências mais diferenciadoras, ou mais cruéis.

Decidimos arriscar no menu Cruel e pedimos, para partilhar, as Bolas de Berlim com mousse de salmão e creme de wasabi e o Carpaccio de novilho com flor elétrica e pesto. Ambas as entradas eram muito boas e a experiência da flor (apesar de eu já conhecer) é de facto intrigante para quem prova pela primeira vez.

Para pratos principais, e seguindo os conselhos de quem simpaticamente nos atendeu, pedimos, mais uma vez para partilhar, um Novilho crú(el) com salada de folhas de jambu, rúcula e tostas e um Risoto de cogumelos em alucinação. O novilho estava óptimo, mas o prato estrela foi de facto o Risoto. Não apenas porque tem graça os cogumelos virem para a mesa a mexer-se, remetendo ao estado de alucinação que a ementa preconiza, mas sobretudo porque estava no ponto, super saboroso e realmente bem feito, o que é raro neste tipo de prato.

E seria de esperar que esta crítica passasse já para a sobremesa, certo? Ora, provavelmente deveria ter sido assim, mas quatro pessoas que foram jantar às 22h15 da noite, e ainda esperaram 15 minutos para pedir, tinham mais fome do que o previsto e decidiram arriscar e pedir mais um prato para dividir. E o prato que pedimos foi exactamente um dos descritos e aconselhados como uma experiência "cruel" e que nos deixou curiosos - a Orelha de Elefante com arroz de tomate. Infelizmente o que veio para a mesa foi mesmo uma experiência cruel no pior sentido. O que trouxeram para a mesa foi um pedaço enorme de uma carne panada, com queijo por cima, de clara inspiração no prato italiano "orecchia di elefante", mas demasiado alta e fibrosa para ser apreciada. De facto é um pedaço de carne que dá para 3-4 pessoas como anunciam no menu, ou até para mais, porque não apetece sequer repetir. A única coisa boa era o arroz de tomate que estava, esse sim, muito bem confeccionado.

Ora, depois desta experiência, a única coisa que conseguimos pedir foi uma sobremesa a partilhar por todos - uma Torre de Chocolate, mas que esteve longe de surpreender. Aquilo que trouxeram foi uma fatia de bolo de chocolate mal cortada e "atirada" para o prato sem muita finesse.

O balanço final foi um jantar diferente e agradável até metade da experiência, mas que não deixou muita vontade de voltar, a não ser para o Risoto, esse sim memorável. Faltaram mais elementos surpresa que não existiram, ou porque não haviam, ou porque a explicação demasiado detalhada no início nos estraga um pouco a experiência que deveria ser (mais) surpreendente.

 

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