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Blog da Catraia

que, na realidade, agora são duas... Uma Catraia minhota de coração, lisboeta por obrigação, juntou-se à primeira, nortenha de berço e coração para, juntas - YUPI! - partilharem um blog:)

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Paris... e os medos

Confesso que não sei o que pensar, e o que escrever, acerca do que se passou na sexta-feira em Paris. 

É tão difícil pensar que, de um momento para o outro, todas aquelas nossas preocupações que nos parecem tão grandes e tão impeditivas de viver a vida em pleno, e disfrutá-la, se transformam em coisas insignificantes perante a possibilidade da morte. É tão difícil conceber que podemos sair para uma escapadela de férias, uma viagem de trabalho, ou simplesmente estar na cidade onde vivemos e ir a um espectáculo ou apenas jantar fora e não voltar.

Como é que podemos sobreviver a este medo que se vai arrumando dentro de nós, primeiro pequenino, depois crescente, à medida que este tipo de situações vai acontecendo? Não sei...  Não soube quando Nova Iorque foi atacada e vi as torres cair pela televisão, mas nessa altura parecia longe. Não soube quando atacaram Londres e depois Atocha, e durante muito tempo tive receio de estar na Estação do Oriente duas vezes por semana, quando chegava a Lisboa ou quando vinha para casa, especialmente porque tinha sido "aqui ao lado". Lembro-me que pensava sempre "e se"? 

Mas com o tempo vamos baixando a guarda, e o medo vai ficando mais pequenino, arrumado dentro de uma gaveta que não abrimos. Então, não só sobrevivemos, como parece que passamos a viver sem isso nos pesar.

Até que volta tudo de novo. Volta o receio, volta-se a dizer "amo-te" antes de sair, voltamos a repensar viagens, planos, voltamos a ter consciência da nossa passagem temporária por aqui. 

É preciso não deixar que os medos nos incapacitem, nisto como noutras coisas na vida, e é preciso manter as coisas que eles nos trazem e que importam, como dizer que se gosta a quem se gosta e não deixar para amanhã.