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Blog da Catraia

que, na realidade, agora são duas... Uma Catraia minhota de coração, lisboeta por obrigação, juntou-se à primeira, nortenha de berço e coração para, juntas - YUPI! - partilharem um blog:)

Blog da Catraia

que, na realidade, agora são duas... Uma Catraia minhota de coração, lisboeta por obrigação, juntou-se à primeira, nortenha de berço e coração para, juntas - YUPI! - partilharem um blog:)

Coisas minhas (o primeiro pedaço)

Hoje partilho uma coisa minha, que é tão raro partilhar ou dar a conhecer aos outros. A minha poesia.

Escrevo desde que me lembro. Desde que me lembro que tenho necessidade de explicar o que sinto e o que me rodeia com palavras. Nunca fui muito visual. Para mim, é a palavra que traz uma imagem, um cheiro, um contexto, um momento e uma vivência. 

Não escrevo todos os dias, nunca me obriguei a escrever. Escrevo porque sim e "quando sim". Talvez o mais estranho seja que normalmente escrevo porque preciso. E isto significa que escrevo mais quando estou triste, escrevo sobre memórias que magoam e que ainda doem cá dentro, e escrevo sobre a solidão, muitas vezes mesmo. Mas, mesmo quando não as sinto no momento presente, gosto de escrever sobre esses dias, esse tempo. Parece que consigo saltar do presente e entrar num passado distante, e voltar a sentir com a mesma intensidade, e voltar a escrever. E o escrever torna-se uma forma de catárse, e vou fazendo as pazes com o passado. 

 

Chega e instala-se e entranha-se,

Arruma as paredes e o chão vazio

e deita-se a deleitar o nada em silêncio.

 

A casa onde éramos todos e unos e dois,

é um pedaço de vida recortada.

 

E as memórias do sentir, fundidas cá

dentro, são restos do nosso tempo calcado e recalcado

pelos teus passos.

 

Menção Honrosa na 14ª Edição do Concurso Literário "Dar Voz à Poesia"